08/01/2014 14:49

A marca custa mais caro que o produto

Produtos com personagens da moda lotam as prateleiras das lojas de materiais escolares e acessórios


Levar as crianças para a compra dos materiais escolares é garantir conflito / Vera Gonçalvez /Ag. Bom Dia


A corrida pelos materiais escolares começou mais cedo este ano, uma vez que as aulas têm o calendário alterado por conta da Copa do Mundo, que começa em junho. Mas a regra que determina as compras ainda é a mesma:  a moda custa caro, mas os pais preferem pagar mais a lidar com a frustração dos filhos.

Nem bem começou 2014 e uma profusão de produtos de alta tecnologia, com apelos que remetem aos desenhos mais assistidos ou às personagens clássicas infantis dominou as lojas de bolsas, as papelarias e até as lojas de brinquedos da cidade. A moda tem um preço, mas em alguns casos, a tecnologia é usada para facilitar a vida dos pequenos em tarefas como subir uma escada com a mochila cheia. Um bom exemplo são as mochilas feitas de EVA, modeladas em formato de carros, que custam até 40% mais que as outras, mas têm rodinhas adaptadas, que facilitam o transporte. 

A auxiliar de cozinha Kelli Cristina de Souza, 34, levou as duas filhas para as compras escolares. Natalia, 15, e Natani, 8, já percorriam os corredores da papelaria em busca dos objetos de desejo enquanto a mãe fazia um orçamento dos produtos no balcão e ainda nem tinha decidido se compraria tudo. 

“Eu tento me aproximar ao máximo do que elas querem, mesmo que isso não se aproxime do quanto eu quero pagar”, afirma Kelli. “Mas é claro que nem sempre dá para comprar tudo o que elas querem.”

A auxiliar de cozinha segue à risca a fórmula que agrada comerciantes e fabricantes. Levar as crianças junto na hora da compra é enfrentar uma guerra vencida pelos pequenos.

“Para as crianças menores, os materiais de personagens é uma exigência. Já para a maior, compro os que estão na média do preço mesmo”, explica a cozinheira Sandra Tifa, 33, que tem dois filhos.

Briga por centavos no sulfite é arma para atrair mais clientes
Uma montanha de papel sulfite na porta da loja a um preço atraente foi a estratégia que uma loja do Centro encontrou para atrair clientes. O item, que consta tradicionalmente nas listas de material escolar, é a melhor isca, de acordo com o gerente, Ivan Carvalho dos Santos.

“A gente briga no preço do sulfite para atrair, mas em toda a loja temos bons preços”, explica Santos. “A gente chega a perder até R$ 1 sobre o preço para mantê-lo como chamariz.” 

A loja Maravilhas do Lar, da qual Santos é gerente, comprou cerca de 5 mil caixas, segundo ele, o que ajudou a manter a competitividade.

As prateleiras da loja, que até há poucos dias estava lotada de brinquedos, deu lugar a mochilas e acessórios que vão de R$ 0,35 a R$ 600. 

Santos explica que quando os pais levam os filhos para as compras de material a tendência é que gastem mais. “Se dependesse só dos pais, eles levariam o mais barato. Mas quando vêm com os filhos, acabam cedendo e levando o que eles querem”, afirma o gerente. A expectativa é que este ano as vendas cresçam entre 10% e 15%, segundo ele.

MAIS

Produto licenciado custa mais que o dobro
Em uma mesma loja, a reportagem do BOM DIA comparou dois cadernos de 1/4, capa dura, de mesmo fabricante. Um deles tinha a capa lisa, sem estampa e o outro era um produto licenciado do desenho infantil Monster High. O caderno de capa lisa custava menos da metade do licenciado, R$ 2,20, contra R$ 5,10 pelo caderno Tilibra estampado com os personagens.

131% a mais pelo caderno com personagens Monster High

Antecipação quase chegou ao Natal para alguns clientes
Alguns clientes da papelaria Horizonte, no Centro, para antecipar as compras, chegaram a deixar listas de mateiriais no dia 26 de dezembro, segundo o gerente Elio Silva Souza.

Escolas não podem cobrar taxas para despesas
O Procon orienta para que os pais denunciem escolas que cobrem taxas para suprir despesas com água, luz e telefone. O uniforme também não pode ser alterado com menos de 5 anos de uso.


Compartilhe: