São José dos Campos-SP, quarta-feira, 8 de abril de 2026, por Marcos Eduardo Carvalho – O tenente-coronel da PM (Polícia Militar), Geraldo Leite Rosa Neto, 53 anos, acusado de matar a PM Gisele Alves Santana, irá receber benefício de R$ 21 mil por mês pela aposentadoria da corporação. No entanto, a filha de sua esposa, morta no dia 18 de fevereiro, irá receber uma pensão de R$ 2.500 até completar 18 anos, em 2037.
E o detalhe é que Rosa Neto está preso desde o dia 18 de março, acusado de matar a esposa em São Paulo. Na oportunidade, Gisele foi encontrada com um tiro no lado direito da cabeça, no apartamento onde eles moravam, no bairro do Brás, em São Paulo.
Apesar da acusação formal de ter cometido o crime, ele sempre negou. No entanto, irá completar um mês no Presídio Militar Romão Gomes, na capital paulista.
Marido de Gisele ganhará oito vezes mais que vítima
No entanto, já preso, Geraldo Neto, marido de Gisele, acabou aposentado pela PM por tempo de serviço. Na corporação desde 1991, já poderia ter se aposentado em 2016, porém, seguiu na carreira. E terá agora um salário vitalício de R$ 21 mil.
Por outro lado, a PM, que tinha 12 anos de corporação, deixou uma filha de 7 anos, fruto de um relacionamento anterior. E a menina terá direito a essa pensão de R$ 2.500 até completar 18 anos, ou seja, um valor oito vezes menor que o salário do tenente-coronel.
Essa pensão da menina está prevista na Constituição, através da lei 1.354/2020. Mesmo morando agora com o pai, a menina terá direito ao valor para sua subsistência nos próximos anos.
Inicialmente, o caso de Gisele foi tratado como suicídio consumado, mas depois passou para morte suspeita. E, com os indícios da perícia, o caso passou a ser investigado como feminicídio.
Assim, o tenente-coronel acabou preso no apartamento dele em São José dos Campos, onde também tem residência. E, mesmo tentando liberdade condicional, continua preso.
Aposentadoria não descarta expulsão
Apesar de estar oficialmente aposentado, o tenente-coronel ainda poderá ser expulso da PM pela morte de Gisele Alves. Atualmente, o caso ainda segue em julgamento, sem prazo para terminar.
Paralelo ao processo que corre na Justiça Militar, ele também enfrenta o processo na Justiça de São Paulo. E ainda não há a data do julgamento pelo crime, o qual ele diz que não cometeu.
Porém, a família de Gisele Alves disse, em depoimento, que a relação era tóxica e abusiva. E mensagens de WhatsApp obtidas pela polícia mostram que a PM reclamou de ter levado um tapa do marido, dias antes do crime. Apesar disso, ele garantiu uma aposentadoria acima da ampla maioria dos brasileiros.
