A prisão da delegada recém-empossada Layla Lima Ayub, nesta sexta-feira (16), gerou repercussão. E o secretário de Segurança Pública de São Paulo, o também delegado Nico Gonçalves, falou sobre o assunto em entrevista coletiva. A prisão aconteceu por suspeita de atuar como advogada para membros do PCC (Primeiro Comando da Capital).
Layla assumiu a função no dia 19 de dezembro, após passar em concurso, e estava em fase probatória de até três. No entanto, não irá seguir por conta dessa falha administrativa e será exonerada. Segundo a lei, um delegado só adquire a estabilidade quando passa de forma satisfatória por todos os estágios do processo.
Segundo Nico, a delegada havia participado, como advogada, de uma audiência de custória em Marabá (PA). E isso aconteceu depois de assumir o cargo de delegada em São Paulo e a legislação não permite isso.
Caso de Layla serve como exemplo, diz Nico
Durante a entrevista coletiva desta sexta, o secretário de segurança explicou o motivo do afastamento e da prisão da delegada Layla. E ele detalhou que isso é um exemplo para o restante dos profissionais.
“Nossa aluna que passou aí no concurso de delegada, e não tinha nenhum apontamento contra ela. Cortamos da própria carne, mas é o exemplo que estamos dando”, disse Nico na coletiva.
Segundo Nico, a delegada tinha um compromisso com o crime organizado. “E não vamos deixar o crime organizado contaminar nossos agentes públicos”, afirmou.
Porém, ainda na coletiva, o promotor Carlos Gaya afastou a possibilidade de que o PCC tenha financiado a carreira dela. De acordo com Gaya, a possibilidade é que o PCC a tenha cooptado nos presídios do Pará. Tanto é que o MP (Ministério Público) de São Paulo e do Pará apoiouo a ação desta sexta, da Polícia Civil.
Outro ponto destacado na coletiva é que a SSP descartou também haver fraude no concurso em que a delegada foi aprovada. Mas, ficou claro que ela tinha uma atuação próxima a membros do grupo criminoso. Tanto é que namorava um deles, Jardel Neto Pereira da Cruz, o ‘Dedel’, no Pará.
A pedido do Ministério Público, a Justiça decretou a prisão temporária de 30 dias da delegada e do namorado. O casal é investigado pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Eles foram capturados em uma pensão onde moravam na capital.
Delegada pega prisão temporária
Nesta sexta, durante a ação que prendeu Layla em São Paulo, o MP pediu a prisão temporária de 30 dias. “Além da economia formal, o crime organizado tem também se infiltrado em carreiras públicas e estruturas de Estado. Mas em São Paulo, graças aos setores de inteligência, isso tem sido coibido”, disse o procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio Costa, ainda na coletiva.

