Layla Lima Ayub, delegada recém-empossada na Polícia Civil de São Paulo, foi presa na manhã desta sexta-feira (16), na capital paulista. Ela é suspeita de envolvimento com membros do PCC (Primeiro Comando da Capital) e foi alvo de ação conjunta do MP (Ministério Público) de São Paulo através do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e da Corregedoria-Geral da Polícia Civil. E o Ministério Público do Pará também participa da ação.
A origem de tudo é a possibilidade de vínculo pessoal entre Layla Lima e agentes da facção criminosa que surgiu nos presídios paulistas durante a década de 1990. Além disso, há acusação contra ela por ter exercido, de forma irregular, advocacia criminalista e atuar em audiência de custódia defendendo criminosos ligados ao PCC. E isso aconteceu quando já era delegada.
Inclusive, ela assumiu o cargo de delegada no dia 19 de dezembro de 2025, ou seja, há menos de um mês, no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. Em outra oportunidade, já recebeu homenagem da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), por sua atuação como mulher na Polícia Militar – ela já foi policial no estado do Espírito Santo.
Namorado de Layla é apontado como membro do PCC
Um dos principais indícios das acusações contra Layla Ayub é o fato de namorar Jardel Neto Pereira da Cruz, o ‘Dedel’. Ao menos, eles aparecem juntos nas redes sociais e Dedel é tido como integrante do PCC, segundo as autoridades do estado do Pará. Além disso, é acusado de ser um dos chefes do tráfico de drogas e armas no estádio de Roraima.
Por conta disso, o Ministério Público decretou a prisão temporária dos dois. Ambos são investigados por dois crimes: organização criminosa e lavagem de dinheiro.
No caso dele, o mandado de busca aconteceu na cidade de Marabá, no Pará. E, no caso da delegada, um dos endereços da ação foi na Academia da Polícia Civil, no bairro do Butantã, região oeste de São Paulo. Lá, ela tinha um armário, alvo de buscas.
E a principal acusação contra ela é que, no dia 28 de dezembro, pouco mais de uma semana após a posse, ela atuou como advogada de defesa de um membro da facção. Na oportunidade, ele foi preso pela Polícia Militar na cidade de Rondon do Pará, que fica a 523 quilômetros da capital Belém.
Atuação é irregular, diz lei
De acordo com a legislação, tanto do Estatuto da Advocacia quanto por diversas normais estaduais, a ação é ilegal. Isso porque delegados de polícia são vedados de fazer advocacia privada enquanto estiverem no exercício do cargo.
Além disso, a delegada é suspeita de utilizar dos cargos para favorecer os membros da facção criminosa. Até porque tem acesso a banco de dados e informações normalmente restritas.
Por fim, Layla e o namorado Dedel são suspeitos de comprar uma padaria no bairro de Itaquera, na zona leste da capital, com dinheiro ilícito na origem. E teriam usado um ‘laranja’, ou seja, colocado no nome de outra pessoa para esconder a propriedade do negócio.

