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PM Gisele Alves: entenda porque investigação fala em feminicídio

PM Gisele Alves: entenda porque investigação fala em feminicídio'. Imagem: Redes sociais

PM Gisele Alves: entenda porque investigação fala em feminicídio'. Imagem: Redes sociais

A morte da PM Gisele Alves, 32 anos, no último dia 18 de fevereiro, ganhou novo desdobramento nesta terça-feira (10). Isso porque a Justiça determinou que o caso passe a ser investigado como feminicídio, ou seja, que ela foi morta pelo simples fato de ser mulher e por ter sofrido violência doméstica.

Inicialmente, o caso da PM Gisele Alves foi registrado como suicídio consumado. No entanto, após o primeiro depoimento da mãe dela e dos familiares, passou a ser tratado como morte suspeita.

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Na oportunidade, ela teria sido encontrada morta no quarto do apartamento onde morava, no Brás. E o marido, o tenente-coronel da PM, Geraldo Neto, que estaria no banho, disse ter ouvido o barulho e foi socorrer a esposa, que chegou ao hospital sem vida.

Justiça de SP acompanha caso da PM Gisele Alves

PM Gisele Alves: entenda porque investigação fala em feminicídio. Imagem: Redes sociais

No momento, a Justiça de São Paulo investiga a morte da PM Gisele Alves, que ganhou novo rumo. Nesta terça, a juíza Giovanna Christina Colares determinou a redistribuição do processo para uma Vara do Tribunal do Júri. No caso, é uma instância voltada apenas pra investigações por crime contra a vida.

Essa nova mudança de direção do processo aconteceu por conta do laudo necroscópico ter apontado que havia lesões no rosto e no pescoço da vítima. Além disso, a família da policial descarta a possibilidade de suicídio e ainda relata que o casamento dos dois tinha muitas brigas e que o marido era muito ciumento. Segundo o depoimento da mãe dela, Geraldo Neto não a deixava nem passar batom ou usar sapato de salto alto.

Outro motivo para suspeita é que uma vizinha diz ter ouvido o barulho do disparo da arma de fogo às 7h28. Mas, o serviço de emergência da PM (Polícia Militar), só registrou a ligação do Tenente-Coronel às 7h57, ou seja, 29 minutos depois.

No próprio depoimento, ele disse que estava há um minuto no banho, quando ouviu o barulho. Outro ponto a se investigar é a chegada do desembargador Antônio Pinheiro Machado Coganc, amigo do Tenente-coronel ao apartamento, antes mesmo do socorro.

Em nota à imprensa, antes da decisão da Justiça nesta tarde sobre a investigação da morte a PM Gisele Alves, a defesa do tenente-coronel diz que ele não é investigado e que está colaborando com as investigações. E a defesa do Desembargador diz que ele foi chamado como amigo do tenente-coronel e que prestará esclarecimentos à Polícia Judiciária.

Falta de desespero e falta de pegadas de água

Um sargento dos Bombeiros, que atendeu a ocorrência, disse em depoimento que estranhou a postura do tenente-coronel sobre a morte da PM Gisele Alves. Isso porque não estava molhado e não havia pegadas entre o banheiro e o quarto da casa.

Além disso, também estranhou a falta de desespero do marido ao ver a mulher baleada. O tiro dado atingiu o lado direto da cabeça, segundo a perícia. A PM Gisele Alves Santana  também deixou uma filha de 7 anos, fruto de relacionamento anterior.

Por fim, as câmeras de vigilância do prédio também mostram a chegada de três policiais cerca de dez horas depois, para fazer limpeza do local. Isso, inclusive, atrapalhou a perícia e é mais um motivo para a juíza querer investigar a morte da PM Gisele Alves como feminicídio. Mas, o nome do tenente-coronel, que pediu afastamento do cargo, ainda não é citado como suspeito.

Marcos Eduardo: Marcos Eduardo Carvalho, nascido em São José dos Campos, jornalista formado em 1999 pela Unitau (Universidade de Taubaté). Também é editor de Esportes no jornal OVALE editor no Manezinho News. Ex-professor da rede pública em SP, hoje também é produtor de conteúdos no blog Diariosp
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