Casa de Farinha da Capsul: como R$ 1,3 bi em fraude chegou até betoneira

Operação desmonta esquema que usava e-books falsos para sonegar ICMS e vendia suplementos sem princípios ativos

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Pedro Miranda: dono da Capsul Brasil
Foto: Pedro Miranda: dono da Capsul Brasil
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Clara
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“Esta faltando fiscalização no mercado de suplementos”, disse o promotor Pedro Henrique Pereira Correa. E a Operação Casa de Farinha provou isso de forma brutal.

Acumulou.

O esquema desmantelado na quarta-feira (25) movimentou R$ 1,3 bilhão em fraudes tributárias e sanitárias. Como apurou Jovana Meirelles, do Itatiaia, dois homens foram presos — Pedro Miranda e Fernando Vasconcelos, donos da Capsul Brasil em Arcos (MG).

O truque dos e-books que custava R$ 100 milhões ao estado

Funciona assim: você compra um “suplemento milagroso” por R$ 100. Mas na nota fiscal, R$ 80 aparecem como “e-book” e apenas R$ 20 como suplemento.

Por que isso importa? E-books têm imunidade tributária. Suplementos pagam ICMS.

O resultado: R$ 100 milhões sonegados só em Minas Gerais, segundo cálculo do Ministério Público. Segundo Daniel Galera, do Metrópoles, mais de 300 empresas participavam do esquema, atingindo 1 milhão de consumidores.

Detalhe que incomoda: muitos consumidores confirmaram que nunca receberam e-book algum. Pagaram por livro digital que não existia para fraudar imposto que não sabiam estar pagando.

Betoneira de obra fabricava “remédio” contra diabetes

A Anvisa encontrou uma betoneira de construção civil sendo usada para fabricar suplementos. Não é metáfora.

Sujeira, mofo, matérias-primas expostas sem controle de temperatura. A fábrica funcionava sem alvará sanitário. Os “encapsulados” eram vendidos como cura para diabetes, impotência, calvície e problemas de próstata.

Mas aqui está o problema que nenhum portal destacou: as análises preliminares indicam que os princípios ativos anunciados não existiam nas cápsulas. Você pagava por ginkgo biloba e recebia farinha — literalmente.

Como mostrou Dabliu Mendes na matéria Pedro Miranda: dono da Capsul Brasil, o empresário vinha sendo investigado desde o ano passado por propaganda enganosa.

O que os R$ 1,3 bilhão bloqueados revelam

Não é só sonegação. É estrutura criminosa sofisticada.

O grupo registrava “número enorme de empresas” nos nomes dos investigados — muitas abertas e fechadas rapidamente para dificultar rastreamento fiscal. Lavagem de dinheiro clássica.

E tem mais: encontraram grande quantidade de anabolizantes na operação. Origem e destino ainda sendo investigados, mas levanta suspeita sobre o que mais fabricavam além dos “suplementos”.

A Operação Casa de Farinha — nome inspirado na novela que retratava esquema similar — cumpriu mandados em Arcos, Campo Belo, Lagoa da Prata (MG) e Caldas Novas (GO). Anvisa, Polícia Civil, Receita Estadual e Vigilância Sanitária participaram da ação.

Pergunta que fica: quantos outros esquemas assim estão funcionando no Brasil neste exato momento? Porque R$ 1,3 bilhão não surge do nada.

O prazo para regularização de suplementos junto à Anvisa termina em setembro de 2026. Será que vai dar tempo de limpar o mercado?

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✦ Opinião — Esta reportagem, publicada hoje, é assinada por Dabliu Mendes, editor-chefe do ▷ Diário SP. Dabliu Mendes é jornalista com mais de 10 anos de atuação na imprensa brasileira. Atualmente é editor e colunista do Diário SP, onde cobre loterias, legislação e finanças pessoais com foco em informação acessível e apuração rigorosa. Ao longo da carreira, acompanhou de perto centenas de sorteios das Loterias da Caixa e se especializou na cobertura do mercado de apostas no Brasil, incluindo regulamentação, impactos sociais e mudanças legislativas. Tem 38 anos e mora em Nova Mutum (MT). Para acompanhar mais coberturas de Dabliu Mendes, .

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2 comentários

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Isa Há 2 horas

De fato, essa operação revela uma falta de atenção com a saúde pública. E ainda por cima, esses 'suplementos' eram fabricados em uma betoneira? É revoltante! Imaginar que tanta gente pode ter sido enganada e até prejudicada. Os consumidores merecem proteção!

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duda_sp Há 58 minutos

Caramba, que absurdo! Eu moro em Arcos e conheço a Capsul Brasil. Sempre desconfiei desses suplementos milagrosos, mas nunca imaginei que a situação fosse tão grave. Tem que ter uma fiscalização mais rigorosa nesse setor mesmo! R$ 1,3 bilhão é um valor surreal.

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