Caso Gisele: perícia recupera mensagens que coronel tentou apagar

Tecnologia israelense revela conversas deletadas minutos após o tiro que matou a soldado PM

16 2 10
Gisele Santana: como depoimento de ex-marido interfere na investigação. Imagem: Redes sociais
Foto: Gisele Santana: como depoimento de ex-marido interfere na investigação. Imagem: Redes sociais
Foto: Gisele Santana: como depoimento de ex-marido interfere na investigação. Imagem: Redes sociais
Clara
Clara Jornalista · Online agora
Dúvidas sobre essa matéria?
Fale comigo que explico 💬
Iniciar conversa

Mensagens recuperadas. E elas mudam tudo.

A perícia técnica no celular da soldado Gisele Alves Santana revelou que conversas com o marido foram apagadas minutos após o disparo fatal.

Como apurou Laís Gouveia, do Brasil247, o laudo concluído na quarta-feira (25) indica que as conversas foram recuperadas por procedimentos técnicos — contrariando a versão do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto.

O que a perícia descobriu

O celular de Gisele foi desbloqueado e manuseado logo após o tiro que a atingiu. Segundo reportagem de Alfredo Henrique no Metrópoles, a polícia usou tecnologia israelense para recuperar as mensagens deletadas.

No aparelho do coronel não havia registros de conversas com a vítima no dia 17 de fevereiro — véspera do crime. Coincidência? Difícil acreditar.

As últimas mensagens de Gisele foram enviadas entre 22h47 e 23h do dia 17. Cerca de oito horas e meia depois, ela estava morta.

“Você confundiu carinho com autoridade”

As mensagens recuperadas destroem a narrativa do oficial. Gisele não só queria a separação como deixou isso cristalino:

“Você confundiu carinho com autoridade, amor com obediência, provisão com submissão. Vejo que se arrependeu do casamento, eu também, e tem todo o direito de pedir o divórcio.”

E mais: “Não quero nada seu, como te disse, eu me viro pra sair. Tenho minha dignidade. Pode entrar com o pedido essa semana.”

Não parece muito com alguém que “não aceitava o fim do casamento”, como alegou o coronel.

Em outra conversa, Gisele foi ainda mais direta sobre o comportamento do marido: “Você não é melhor no relacionamento por pagar o aluguel. Se continuar, vai ter que mudar seu comportamento estúpido, ignorante, intolerante.”

Trinta minutos para chamar socorro

Tem mais. O oficial demorou aproximadamente 30 minutos para acionar o resgate após o disparo. Gisele chegou viva ao Hospital das Clínicas, mas não resistiu. Morreu às 12h04.

Por que a demora? O que aconteceu nesses 30 minutos?

A investigação aponta que o comportamento do coronel nas conversas mostrava “completa insatisfação” quando a esposa falava em separação. Ele desviava o assunto ou tentava resgatar momentos positivos do casal.

Marcos Eduardo Carvalho já havia detalhado aspectos do caso na matéria “Você confundiu carinho com autoridade”, disse Gisele a Geraldo Neto, publicada hoje no Diário SP.

A fraude processual

O coronel não responde só por feminicídio. Há também a acusação de fraude processual — justamente por ter manipulado evidências.

As mensagens recuperadas mostram um padrão: Geraldo Neto se definia como “macho alfa” e demonstrava resistência ao término. Quando isso não funcionava mais, partiu para o que a polícia classifica como manipulação da cena do crime.

Inicialmente registrado como suicídio, o caso virou morte suspeita no mesmo dia. Depois, feminicídio. Um mês após o crime, o oficial foi preso.

Tecnologia contra o crime

O Diário SP entende que este caso marca um ponto importante: a tecnologia está cada vez mais eficiente em recuperar evidências que criminosos tentam apagar.

Não adianta deletar mensagens, formatar celular ou destruir cartão de memória. Os rastros digitais estão lá — e a perícia sabe como encontrá-los.

Geraldo Leite Rosa Neto está no Presídio Militar Romão Gomes. Ele e a defesa mantêm a tese de suicídio, mesmo com todas as evidências em contrário.

Mas agora as próprias palavras de Gisele falam por ela.

✦ Notícias — Esta reportagem, publicada hoje, é assinada por Dabliu Mendes, editor-chefe do ▷ Diário SP. Dabliu Mendes é jornalista com mais de 10 anos de atuação na imprensa brasileira. Atualmente é editor e colunista do Diário SP, onde cobre loterias, legislação e finanças pessoais com foco em informação acessível e apuração rigorosa. Ao longo da carreira, acompanhou de perto centenas de sorteios das Loterias da Caixa e se especializou na cobertura do mercado de apostas no Brasil, incluindo regulamentação, impactos sociais e mudanças legislativas. Tem 38 anos e mora em Nova Mutum (MT). Para acompanhar mais coberturas de Dabliu Mendes, .

Caso giseleFeminicídioperícia criminal
2 comentários

Participe da discussão sobre esta matéria. Sua opinião é importante.

Marcos_rj Há 2 horas

Moro aqui perto e estou acompanhando o caso. A tecnologia que recuperou as mensagens é impressionante! É surreal pensar que alguém apagaria conversas logo após um crime. É hora de a justiça fazer seu trabalho e não deixar isso passar impune.

💬 Responder
Leti ✨ Há 23 minutos

Eu não consigo acreditar que esse coronel ficou 30 minutos sem chamar socorro! 😡 Gisele deixou claro que queria o divórcio, e ele ainda teve a cara de pau de dizer que ela não aceitava o fim. Isso me deixou muito revoltada!

💬 Responder
Deixe seu comentário
Escolha um avatar:
Carregando...
Para Você
Para Você
Carregando...
Leia Também