Feminicídio na PM: O silêncio que grita mais que o tiro

O que o caso Gisele realmente revela sobre a PM de SP

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Geraldo Neto: mensagens à Gisele assombram web. Imagem: Redes sociais
Foto: Geraldo Neto: mensagens à Gisele assombram web. Imagem: Redes sociais
Foto: Geraldo Neto: mensagens à Gisele assombram web. Imagem: Redes sociais
Clara
Clara Jornalista · Online agora
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De acordo com apuração do Diário SP em 22 de março de 2026, a prisão do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, acusado de assassinar a própria esposa, a soldado Gisele Alves Santana, de 32, é muito mais do que a crônica de um crime brutal. O caso, que começou em 18 de fevereiro como um suposto suicídio no apartamento do casal no Brás, evoluiu para uma denúncia de feminicídio e fraude processual que coloca em xeque não apenas um homem, mas a cultura de uma instituição. Neto agora é réu e aguarda julgamento no presídio militar Romão Gomes, enquanto as evidências contra ele se acumulam de forma devastadora.

O que a maioria dos relatos não conectou é o fio que une a mentalidade de “macho alfa provedor”, revelada em mensagens trocadas com Gisele, e a batalha jurídica que se desenrola nos bastidores. Especialistas apontam que, embora o crime tenha sido entre dois militares, ele ocorreu fora de serviço e por motivos passionais, o que atrairia a competência para um Tribunal do Júri popular, conforme análise do G1. A defesa, no entanto, tenta levar o caso para a Justiça Militar. Essa disputa não é um mero detalhe técnico; ela define se o tenente-coronel será julgado pela sociedade ou por seus pares.

O impacto na confiança do paulistano

Na prática, essa história abala a confiança de cada cidadão, especialmente de cada mulher, na corporação que deveria protegê-la. Quando uma mulher em São Paulo liga para o 190 denunciando violência doméstica, ela precisa acreditar que o policial do outro lado da linha combate, e não compartilha, a visão de mundo de quem exige ser tratado como “soberano” e vê a esposa como “fêmea beta obediente e submissa”, como revelaram as mensagens obtidas pela VEJA. O feminicídio no caso Gisele PM não é um fato isolado; é um sintoma alarmante que reverbera para fora dos muros do quartel.

Opinião: Um espelho que a corporação não quer encarar

O Diário SP entende que há algo que incomoda profundamente nessa história e precisa ser dito: a frieza e o cálculo do acusado são assustadores. A justificativa para não comparecer ao velório da esposa — um suposto temor pela própria vida, conforme divulgado pela CNN Brasil — soa como uma desculpa estratégica de quem, 30 minutos após ouvir um tiro, estava mais preocupado em fazer ligações do que em chamar socorro. É difícil não sentir indignação quando a perícia aponta lesões de defesa, um tiro incompatível com suicídio e a suspeita de que a cena do crime foi alterada por policiais subordinados ao tenente-coronel. Isso não é apenas fraude processual, é um tapa na cara da sociedade.

A mudança de versão sobre ter mantido relações sexuais com a vítima horas antes da morte, como noticiou o SBT News, para justificar a presença de sêmen no corpo de Gisele, pinta o retrato de uma defesa que corre atrás das provas, e não da verdade. Este caso é um teste de fogo para a Corregedoria da PM e para o sistema de Justiça como um todo.

A pergunta que ninguém fez

Enquanto a imprensa lista as evidências, a pergunta que o Diário SP faz é outra: se o tenente-coronel Geraldo Neto for julgado por seus pares — quatro oficiais de patente superior e um juiz togado —, a justiça para Gisele será a prioridade absoluta ou a proteção da imagem da corporação pesará na balança? A sociedade paulistana tem o direito de exigir que este julgamento seja transparente e exemplar, preferencialmente diante de um júri popular, onde o poder da farda não intimida a busca pela verdade.

3 pontos que a defesa do ‘macho alfa’ não explica

  1. O silêncio de 30 minutos: Vizinhos ouviram o disparo às 7h28. A polícia só foi acionada pelo tenente-coronel meia hora depois. O que um homem desesperado pela “morte” da esposa faz nesse tempo, além de pedir ajuda? A investigação sugere que ele fez telefonemas para orquestrar os próximos passos.
  2. A cena do crime ‘editada’: A suspeita de que policiais militares, subordinados a Neto, limparam o apartamento é gravíssima. Isso não indica apenas a tentativa de um homem de encobrir um crime, mas o abuso de poder de um oficial que usa sua patente para manipular a verdade.
  3. A ausência calculada: A desculpa de que não foi ao velório por medo de ameaças, dita por um oficial de alta patente treinado para lidar com situações de risco, carece de credibilidade. Parece mais uma estratégia para evitar o confronto com a família que ele destruiu e com a opinião pública.

O desfecho do feminicídio no caso Gisele PM será um marco. Ele dirá se a justiça em São Paulo é a mesma para um cidadão comum e para um tenente-coronel que se via como “soberano”.

O Diário SP quer ouvir você. O que acha dessa situação? Deixe seu comentário.

Fontes

✦ Notícias — Esta reportagem, publicada hoje, é assinada por Dabliu Mendes, editor-chefe do Diário SP. Dabliu Mendes é jornalista com mais de 10 anos de atuação na imprensa brasileira. Atualmente é editor e colunista do Diário SP, onde cobre loterias, legislação e finanças pessoais com foco em informação acessível e apuração rigorosa. Ao longo da carreira, acompanhou de perto centenas de sorteios das Loterias da Caixa e se especializou na cobertura do mercado de apostas no Brasil, incluindo regulamentação, impactos sociais e mudanças legislativas. Tem 38 anos e mora em Nova Mutum (MT). Para acompanhar mais coberturas de Dabliu Mendes, .

Caso giseleFeminicídioPolícia Militar SPViolência contra a mulher
2 comentários

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renanzinho Há 16 minutos

Incrível como ainda tem gente que defende esse tenente-coronel. Ele é acusado de feminicídio e ainda quer que a Justiça Militar cuide do caso? É revoltante. A mensagem que isso passa é péssima, ainda mais quando pensamos em quantas mulheres podem estar em situações parecidas e não tem ninguém pra ajudar. A Gisele merece justiça!

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will.costa Há 2 horas

Eu moro no Brás e isso realmente mexe com a gente. Não consigo entender como alguém, que devia proteger, pode fazer uma coisa dessas. A Gisele tinha apenas 32 anos, e a forma como isso foi tratado inicialmente como suicídio é horrível. A confiança na PM está sendo testada, e esse caso só aumenta nosso medo.

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