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São José dos Campos (SP), quinta-feira 26 de março de 2026, por Marcos Eduardo Carvalho – Acusado de matar a esposa Gisele Alves Santana, 32 anos, o tenente-coronel Geraldo Neto está detido no presídio militar Romão Gomes, em São Paulo, desde o dia 18 de março. Esse crime aconteceu no dia 18 de fevereiro, no bairro do Brás, mas ele só recebeu ordem de prisão 30 dias depois, em São José dos Campos, onde tem um apartamento e estava nos últimos dias.
Nos últimos dias, a família de Gisele começou a organizar um abaixo-assinado com um pedido claro: querem a expulsão de Geraldo Neto da Polícia Militar. Embora ainda não tenha sido condenado e negue o crime (garante que a esposa se matou), o oficial de alta patente seguirá preso, ao menos por enquanto.
Gisele morreu com um tiro na cabeça no apartamento onde morava com o marido, na capital paulista. Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio consumado, mas depois passou para morte suspeita e, com os depoimentos e perícias, passou para feminicídio.
Geraldo Neto é alvo de investigação paralela

Além da investigação normal da Justiça de São Paulo, Geraldo Neto também é alvo de uma investigação paralela na corregedoria da Polícia Militar. Isso acontece sempre em situações quando o oficial comete ou é acusado de cometer alguma irregularidade no exercício da função, por exemplo.
No caso de uma possível expulsão da corporação, isso seria possível em caso de quebra grave de conduta. Então, se ele de fato for condenado pela morte da esposa, essa possibilidade, ao menos na teoria, aumenta.
Após a morte de Gisele Alves, tenente-coronel pediu afastamento em licença-prêmio, segundo ele próprio. Atualmente, ele tem um salário bruto que passa dos R$ 30 mil, mas o líquido está na casa dos R$ 17 mil, segundo o portal da Transparência do Governo de São Paulo.
Por enquanto, o suspeito também aguarda novos laudos periciais para se conclua o inquérito policial. A defesa dele garante inocência e até entrou com novo pedido de liberdade, o que foi negado pela Justiça.
Em resumo, Geraldo Neto, que é alvo de inquérito policial na Justiça, também sofre investigação paralela administrativa na Polícia Militar. Inclusive, também há denúncias de assédio a outras policiais militares durante o trabalho e até mesmo discussões e agressões à esposa no expediente.
O que diz a Constituição Federal
De acordo com a Lei Nº 6.880, de 9 de dezembro de 1980, Geraldo Neto só poderá perder a patente em caso de condenação definitiva. Além disso, teria que ser condenado a uma pena superior a dois anos.
Como ele é acusado por feminicídio, poderá chegar a até 40 anos de prisão. Isso de acordo com a nova legislação, na Lei nº 13.104/2015.
Inclusive, em depoimento, Neto admitiu que seu relacionamento com a esposa era conturbado mas rejeitou ser controlador, como acusam os familiares. Ele afirmou ainda que ela demonstrava mais ciúmes do que ele próprio, usando a expressão que “Gisele parecia um zagueiro paraguaio”.
Como era a vida na polícia
A ficha funcional de Geraldo Neto na Polícia Militar começa em 1991, quando ele tinha 18 anos. Em 220 páginas, soma 110 elogios e até ganhou prêmio por ajudar a reduzir índices criminais na região que estava sob sua responsabilidade, em 2019.
Porém, ele já teve cinco punições disciplinares na carreira e denúncias de supostas agressões já foram arquivadas; não há menção de casos de assédio na documentação oficial dele.
Agora, o caso Gisele segue longe do desfecho, mas Geraldo Neto segue preso. Atualmente afastado da função, antes de ser preso, poderá no futuro perder o cargo em definitivo. E uma sólida carreira de 35 anos se perderá após cometer um feminicídio e, ainda, deixar a filha da PM, de apenas 7 anos, órfã.


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Incrível como esse caso tomou proporções tão grandes em tão pouco tempo! Eu moro perto do Brás e sempre soube que o Geraldo Neto tinha uma vida aparentemente normal. Fico pensando na família da Gisele, realmente não dá pra acreditar que ele negue tudo isso. Um absurdo! 😔