O número de pessoas que sofreu com o impacto do apagão na Grande São Paulo em dezembro foi mais que o dobro do estimado inicialmente. E quem afirma é a própria Enel, distribuidora de energia elétrica responsável pela capital paulista e outros 23 municípios da Região Metropolitana.
Entre os dias 10 e 11 de dezembro, um ciclone extratropical levou o caos a São Paulo e a Enel estimou que 2 milhões de pessoas teriam sido prejudicadas. No entanto, a empresa revisou os números e, agora, reconhece que cerca de 4,4 milhões de clientes ficaram às escuras em determinado momento.
De acordo com a empresa, ela própria auditou os dados e enviou no último dia 19 de dezembro à Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). Na oportunidade, milhares de pessoas ficaram vários dias à escuras e outros milhares de comerciantes tiveram grandes prejuízos, sem conseguir trabalhar, agravado por ser final de ano, quando se espera um faturamento maior.
Enel diz que foram 12 horas de ventos fortes

Em comunicado oficial, a Enel disse que, nos dias 10 e 11 de dezembro São Paulo enfrentou 12 horas de ventos fortes. Assim, quando reconectava clientes antes desligados, outros sofriam com o impacto do vendaval na cidade.
“O número acumulado de clientes desligados ao longo do dia 10 foi significativamente maior, apurado em análise posterior ao evento climático”, diz a empresa em nota.
Na oportunidade, os ventos na Grade São Paulo tiveram velocidades de até 98 km/h em determinados locais. E mais de 300 árvores caíram, o que causaram o rompimento da ligação elétrica em diversas partes da Região Metropolitana.
Mas, o fato é que essa não é a primeira vez que os clientes sofrem impacto e ficam muitos dias sem luz na região. E o evento de dezembro serviu para aumentar ainda mais a pressão em cima da empresa concessionária.
Governador e prefeito defendem fim da concessão
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o prefeito Ricardo Nunes (MDB), defendem abertamente o rompimento do contrato de concessão da Enel em São Paulo. Esse contrato, ganho em edital, começou em 2018 e vai até 2028. Agora, a empresa quer um prolongamento por mais 30 anos.
Porém, as autoridades defendem que o contrato caduque por falta de capacidade técnica da empresa. Inclusive, eles pediram formalmente ao ministério das Minas e Energia, em Brasília, essa caducidade.
No início desta semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pediu à Aneel para investigar as falhas na Enel. Por enquanto, não houve uma decisão tomada.









