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São José dos Campos (SP), sexta-feira, 27 de março de 2026, por Marcos Eduardo Carvalho – A perícia da Polícia Civil, que investiga a morte da PM Gisele Alves Santana, no dia 18 de fevereiro, identificou que o celular da policial foi desbloqueado pouco depois de ser encontrada morta pelo marido, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto. Além disso, constatou que o marido apagou diversas mensagens, inclusive aquelas em que ela pede o divórcio.
Agora, ele está preso desde o dia 18 de março no presídio militar Romão Gomes, em São Paulo, onde é acusado de feminicídio. O caso aconteceu no bairro do Brás, no apartamento onde viviam, mas ele nega o crime e sustenta que a esposa se suicidou.
Além disso, Geraldo Neto também sustenta que ele pediu a separação, e não ela, e que isso a teria deixado muito nervosa. No entanto, as mensagens apagadas, agora recuperadas pela perícia, mostram justamente o contrário. E a investigação entende que ele apagou justamente para sustentar apenas a versão dele.
Gisele diz que marido confundiu carinho com autoridade

Um dia antes de morrer, Gisele trocou mensagens entre 22h47 e 22h59 com Geraldo Rosa. No teor da conversa, ela fala em entrar com o pedido de divórcio naquela semana.
Em um dos trechos da conversa, a PM de 32 anos diz concordar com o pedido da separação. E diz que os dois se arrependeram do casamento. Em um dos trechos da conversa, ela ainda diz que Neto ‘confundiu carinho com autoridade, amor com obediência, provisão com submissão’. A seguir, confira trechos da conversa entre o casal um dia antes do crime:
Gisele às 22h47: Mas já que decidiu separar
Gisele às 22h48: Agora podemos tratar de como vou sair
Gisele às 22h59: Vc confundiu carinho com autoridade, amor com obediência, provisão com submissão
Gisele às 23h: Vejo que se arrependeu do casamento, eu tbm, e tem todo direito de pedir o divórcio não quero nada seu, como te disse eu me viro pra sair tenho minha dignidade
Gisele às 23h: Pode entrar com pedido essa semana
Essa mensagem das 23h foi a última que ela enviou ao marido. Cerca de oito horas depois, ela morre de forma trágica, com um tiro na cabeça, em seu quarto.
Caso passa de suicídio consumado para feminicídio
Inicialmente, a morte de Gisele Alves foi registrada como suicídio consumado, mas com o depoimento da mãe, passou para morte suspeita. Isso porque relatou um relacionamento conturbado e tóxico, com um marido controlado e possessivo.
Depois, com as análises das provas e liberação dos laudos da perícia, a investigação passou a tratar o caso como feminicídio.
Na oportunidade, Geraldo Neto ainda pediu afastamento do trabalho, por licença-prêmio, e foi para São José dos Campos, onde tem um apartamento. Lá, no dia 18 de março, acabou preso pela Polícia Civil e levado a São Paulo.
Em entrevistas anteriores, o oficial da PM negou que tivesse agredido a esposa alguma vez e negou o crime. Além disso, sustenta que encontrou a esposa caída, com tiro na cabeça, e que ligou para o socorro.
Entretanto, a perícia também aponta que ele violou a cena do crime e, inclusive, tomou outro banho antes de ir para a delegacia. Até por isso, os exames deram negativo para ele e para ela em resíduos de pólvora nas mãos.
Por fim, Gisele, de 32 anos, morreu e deixou uma filha de 7 anos, fruto de um relacionamento anterior. Inclusive, a menina não queria mais morar junto com a mãe no apartamento, pois, disse a familiares que não queria ver mais a mãe sofrendo com o ‘tio Neto’, como ela chamava o tenente-coronel da PM.


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Sobre o que a Gisele falou, que ele confundiu carinho com autoridade, isso acontece muito em relacionamentos. Ninguém merece viver assim. E esse lance das mensagens apagadas é um baita indício... O cara tá parecendo bem culpado, viu?
Esse caso é tão triste, só consigo pensar na Gisele e no que ela deve ter sofrido antes de tudo isso. Não dá pra acreditar que alguém pode chegar a esse ponto. E ainda ver que ele apagou as mensagens, é muito suspeito. Tem que haver justiça!