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São José dos Campos (SP), quinta-feira, 26 de março de 2026, por Marcos Eduardo Carvalho – Dois crimes que chocaram São Paulo em datas distintas revelam um padrão assustador: o controle absoluto sobre o parceiro. O tenente-Coronel da PM (Polícia Militar) Geraldo Neto, 53 anos, é acusado de matar a esposa em 18 de fevereiro, no bairro do Brás, onde moravam. Enquanto isso, a universitária Geovanna Proque, 21 anos, acusada de atropelar e matar o namorado e uma amiga, no dia 28 de dezembro, também aguarda julgamento na prisão.
No entanto, o caso de Geraldo Neto e Geovanna Proque, embora tenham acontecido em datas diferentes, têm algo em comum: a possessividade. Afinal de contas, ambos são acusados de manterem relacionamentos tóxicos e agressivos contra seus parceiros.
Outro ponto em comum foi a grande repercussão das duas histórias. Até três pessoas perderam suas vidas em ação de extrema violência de seus agressores e os dois casos são analisados pela Justiça.
Geraldo Neto queria mulher ‘submissa’

Embora negue o crime, Geraldo Neto acabou preso no dia 18 de março, em São José dos Campos, um mês após a morte de Gisele Alves. Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio consumado e, depois, passou para morte suspeita, até ser tratado como feminicídio.
Porém, em depoimento e até em entrevista à TV Record, antes da prisão, o tenente-coronel sustentou que a esposa se matou. Mas, mensagens trocadas por WhatsApp e que estão no processo, indicam uma relação abusiva e possessiva.
Em uma dessas mensagens, a esposa reclama de ter levado um tapa na cara. Já em outra, o marido destaca que gostaria de uma esposa carinhosa e submissa, para não terem problema.
Outro ponto importante no caso: após a morte de Gisele, a mãe dela disse em depoimento que o marido não a deixava usar batom, maquiagens e sapato alto. E que tinha um ciúme possessivo da esposa, que ainda deixou uma filha de dois anos, fruto de relacionamento anterior.
Eles eram casados há mais de dois anos e, embora Geraldo Neto tenha dito que ele queria se separar, as mensagens mostram o contrário. E indicam que ela queria o divórcio, por conta do relacionamento conturbado.
Também em depoimento, uma amiga de Gisele disse que o casal chegou a discutir em uma festa. E o tenente-coronel teria dito que, se ela não fosse dele, não seria de mais ninguém.
No entanto, ele nega qualquer tipo de agressão e ameaça à Gisele. Além disso, a defesa do tenente-coronel também vem se posicionando sobre a inocência dele. Inclusive, pediu Habeas corpus na Justiça, o que foi negado. E ele segue no Presídio Militar Romão Gomes, em São Paulo.
Com 35 anos de Polícia Militar, foi promovido a tenente-coronel em 2025 por tempo de serviço. Agora, ainda é acusado de fraude processual ao tentar manipular a cena do crime no apartamento onde moravam. Gisele morreu com um tiro no lado direito da cabeça.
Geovanna Proque matou namorado atropelado

No caso da universitária Geovanna Proque, 21 anos, ela é acusada de matar o namorado, Raphael Canuto da Costa, de 21, e Joyce Correa da Silva, 19, amiga dele, que estava na moto.
Naquele 28 de dezembro, a universitária mandou mensagens para uma amiga, dizendo que ia à casa dele para brigar. Isso porque o jovem fazia churrasco com amigos e, por ter mulheres no local, não tinha gostado e iria lá para resolver ‘por bem ou por mal’, como mostra a conversa com a amiga, que inclusive estava na casa de Raphael.
Na oportunidade, eles já tinham cerca de um ano de namoro e a relação também seria conturbada. Isso por conta do ciúme possessivo de Geovanna.
Então, a jovem foi à casa do namorado para tirar satisfação pelo churrasco e ele, que não queria brigar, pegou a moto e saiu para dar uma volta. Ele morava no bairro Campo Limpo, região sul da capital paulista.
Em seguida, passou perto do local de trabalho e falou com Joyce, com quem tinha apenas amizade. E a chamou para andar de moto, o que ela aceitou prontamente. Em entrevista à TV Record no início do ano, o irmão de Joyce descartou que ela tivesse qualquer envolvimento afetivo com Raphael Canuto e reafirmou que eram apenas amigos.
No entanto, Geovanna, acompanhada da madrasta no carro, o perseguiu com o carro da mãe e o atropelou. Depois, tanto Raphael quanto Joyce foram arremessados e morreram na hora.
Além disso, a universitária ainda atropelou um pedestre, que nada tinha a ver com a confusão e o feriu. Após isso, ela ainda foi ao serviço do namorado e perguntou se não iriam socorrer o amigo dele.
Agora, Geovanna responde por duplo homicídio doloso (com intenção de matar) triplamente qualificado por motivo torpe, recurso que dificultou a defesa das vítimas, e meio cruel. E ainda responde por lesão corporal.
Por fim, ela passará por audiência de instrução no dia 31 de março, no Fórum da Barra Funda, em São Paulo. Depois, deverá ir a julgamento e até mesmo a júri popular.

Ato final da possessividade
Enfim, tanto no caso do tenente-coronel Geraldo neto quanto no caso de Geovanna Proque, o ato final da possessividade acabou em crime. E três vidas de pessoas jovens se perderam por conta de um crime de controle.
Ele, oficial de alta patente da Polícia Militar, respeitado no meio e com sensação de que estaria acima de qualquer punição. Ela, jovem, bonita, estudante universitária e que também se sentia no direito de ter ‘posse’ do namorado.
Agora, Geraldo Neto e Geovanna Proque respondem pelos crimes que teriam cometido. E as famílias das vítimas aguardam os julgamentos, para garantir que a Justiça seja feita e que os culpados sejam devidamente condenados.


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