Membros do PCC (Primeiro Comando da Capital), utilizam maquininhas de cartão convencionais para enviar dinheiro ilegal a fintechs como o BK Bank e financiar as ações do crime organizado. A afirmação é de Márcia Meng, superintendente da Receita Federal de São Paulo, em entrevista coletiva na manhã desta quinta-feira (25).
Na prática, a ação do PCC é simples: o grupo criminoso comanda alguns postos de combustível e até motéis. E, quando um cliente paga o valor do serviço, o dinheiro não vai para a conta daquela empresa, mas entra direto na conta da fintech (banco digital), que faz parte do esquema fraudulento, como uma forma de lavagem.
Nesta quinta, a Receita Federal, com apoio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), deflagrou a Operação Spare, com 25 mandados de busca e apreensão. E agiu em diversas cidades do estado, inclusive na capital, com 19 deles.
PCC usava até lojas de conveniência, diz Márcia

Segundo Márcia Meng, o PCC, além dos motéis e postos de combustíveis, também tem lojas de conveniência no esquema de desvio de dinheiro. Para isso, utilizam um software na máquina, que já está também instalado nas fintechs.
‘Importante saber que essas maquinhas, da forma como foram usadas até aqui, eram hardwares comprados no mercado e o software dentro era da própria fintech. De forma que você, ao fazer uma compra nas lojas, pagando o motel ou indo ao posto de gasolina, você estava introduzindo direto na conta da fintech o valor devido’
Inclusive, a superintendente detalhou que essa era a forma que o grupo criminoso encontrava de captar dinheiro de forma livre. E esses valores iam para os chamados ‘bolsões’ das fintechs que se transformavam em itens de luxo, como iates, carros importados e, em alguns casos, até compra de helicópteros.
E, com o dinheiro aplicado no fundo, em nome de alguma determinada pessoa, se tornava possível comprar alguns bens. E isso se tornou um importante instrumento de arrecadação de dinheiro pela facção criminosa.
Grupo tinha cerca de 60 motéis
O esquema organizado pelo PCC estava tão grande que chegaram a ter cerca de 60 motéis no grupo. E o dinheiro de combustível adulterado e tráfico de drogas era enviado para as contas digitais.
Ainda de acordo com a Receita Federal, apenas com os motéis, a facção criminosa movimentava cerca de R$ 450 milhões entre os anos de 2020 e 2024. E o dinheiro que entrava nas contas era como se fosse de atividades empresariais legalizadas, para não deixar pistas das ações do PCC.









