Raphaela Natali Cardoso, 31 anos, sempre sonhou em ser delegada. E, finalmente, conseguiu transformar esse sonho em realizado, após se forma pela Academia de Polícia Civil de São Paulo.
No entanto Raphaela, antes mesmo de começar a carreira de delegada, já sentiu na pele as dificuldades que as mulheres enfrentam no dia a dia. Principalmente quando se trata de cargos de chefia e na área de segurança pública.
Após postar uma foto nas redes sociais, para comemorar o momento, a jovem delegada começou a receber insultos de internautas. Na oportunidade, se tratou de ofensas consideradas misóginas e machistas. O motivo: o fato de conseguir subir de cargo, o que foi suficiente para atacarem a dignidade, honra e até mesmo a capacidade profissional da jovem de 31 anos. E o problema nem foi a pouca idade, mas o fato de, apenas ser mulher.
Comentários contra Raphaela foram de gente desconhecida

Entretanto, os responsáveis pelos ataques ofensivos contra Raphaela aconteceram através de perfis anônimos. Desta maneira, não dá, inicialmente, para identificar os agressores apenas pelos perfis nas redes sociais.
Segundo o registro do Boletim de Ocorrência, a delegada recém-formada, de 31 anos, as ofensas contra ela tinham também mensagens de ódio e discriminação de gênero, além dos ataques de cunho sexual. Por exemplo, um dos agressores dizia que as mulheres precisam ser excluídas dos cargos no Judiciário e, também, na segurança pública de modo geral. Isso sem contar as diversas ofensas diretas contra a pessoa.
“Delegado, juiz e qualquer cargo de justiça: mulher deveria ser proibido”, disse um dos haters. Outro ainda fez um comentário misógino e preconceituoso. “Quando um povo é liderado por mulheres, é sinal de punição divina”, escreveu nas redes sociais. Outros comentários ofensivos também ficaram destacados no boletim de ocorrência que a delegada teve que fazer.
Caso se enquadra como injúria, discriminação e preconceito
Agora, com o boletim de ocorrência que Raphaela registrou, os criminosos poderão responder enquadrados na Lei 7.716/89. No caso, que trata de crimes resultantes de preconceito e discriminação, além de injúria.
Por enquanto, o 51º DP (Distrito Policial) no bairro Rio Pequeno, região oeste de São Paulo, investiga o caso. E a SSP (Secretaria de Segurança Pública), ainda não se manifestou.
Além disso, até o fechamento desta reportagem, a investigação ainda não tinha desvendado os donos dos perfis responsáveis pelo ataque contra a delegada Raphaela. E, mesmo com pouquíssimo tempo de carreira, já enfrenta o primeiro grande obstáculo.









