Mais de 200 veículos de autoescolas de São Paulo estacionaram em toda a extensão da Ponte Estaiada do bairro do Morumbi, zona sul da Capital. A ação começou na noite desta quarta-feira (22), persiste na manhã desta quinta (23) e é um protesto contra a possibilidade de o governo acabar com a obrigatoriedade dessas empresas na hora de conseguir a CNH (Carteira Nacional de Habilitação).
Inicialmente, a ideia é ir até à Alesp (Assembleia Legislativa do estado de São Paulo) e pressionar também os deputados estaduais. Os donos das autoesecolas temem uma quebradeira geral nos próximos meses, caso a medida do Ministério dos Transportes se torne real.
Além disso, a estimativa da categoria é que 300 mil empregos sejam perdidos com a mudança. Por outro lado, o principal argumento do governo é tentar baratear o custo da habilitação, que hoje custa cerca de R$ 3.000 a R$ 4.000 para cada categoria (como carros ou motos).
Autoescolas são congregadas na Feneauto

Esses donos de autoescolas que iniciaram o protesto em São Paulo são congregados à Feneauto (na Federação Nacional das Autoescolas e Centros de Formação de Condutores). E tentam uma forte pressão nos bastidores para impedir as mudanças previstas, mas ainda não oficializadas.
A estimativa de que há 200 carros na Ponte Estaiada é da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) de São Paulo. Os carros estão concentrados na Ponte Octávio Frias de Oliveira, no sentido Jabaquara, mas já devem partir para a Alesp.
Ygor Valença, presidente da Feneauto, usa as redes sociais para mobilizar a categoria. E quer coletar assinaturas para criar um Projeto de Lei no Congresso Nacional para interromper a consulta pública sobre o assunto. E defende a pressão em cima dos deputados estaduais para criar leis que também mantenham a atual regra de habilitação.
Outro movimento da categoria é para tentar ir à Justiça e impedir a continuidade da consulta aberta pelo Ministério dos Transportes. Atualmente, essa consulta está no site do governo Federal, proposta pelo ministro Renan Filho, e fica aberta até o próximo dia 2 de novembro.
Mais de 30 mil sugestões registradas
Segundo dados do governo federal, essa consulta pública para desobrigar as autoescolas já tinha mais de 32868 sugestões inscritas no site. Entre os principais argumentos para a mudança está a possibilidade de minimizar a burocracia para tirar a CNH.
Além de tornar o processo mais rápido, também poderá ficar mais barato, já que será possível, por exemplo, contratar instrutores particulares para as aulas.
Por outro lado, muitas pessoas contrárias à medida entendem que o custo da CNH não está apenas nas aulas. Mas, também nos exames e taxas exigidas pelo Detran (Departamento de Trânsito). Além disso, há temor na precarização da qualidade da formação de novos motoristas.
Mesmo sem a mudança ainda consumada, já há um congelamento de matrículas de novos alunos na maioria das autoescolas. E a preocupação pela ‘quebradeira’ das empresas se tornou grande.









